2016-01-20

Viseu no «caminho» de Vergílio Ferreira


Viseu no caminho de Vergílio Ferreira

Por razões literárias, as afinidades de Vergílio Ferreira, como ficcionista e não só, sempre afirmaram um indenegável topónimo significativo – o de Viseu. Aliás, quase sem estranheza, de Viseu se despediu in vivo o autor de Para sempre naquela fulgurante homenagem que a Universidade Católica local lhe dedicou há vinte anos. Então, rodeado de vida e dos conexos mistérios, pôde o escritor, no meio de um grande número de jovens, espalhar a sua palavra que era, também, de simpatia. Que o diga, por exemplo, a juventude que lhe sabia os livros e lhe desejava um dizer apositivo. Ou outros, como eu, menos jovens, mas sabedores do definitivo nas artes literárias. Na minha primeira edição de Vagão J (1946), vinda a lume na prestigiada coleção «novos prosadores» da Coimbra Editora e que Vergílio iniciou em Faro e concluiu em Melo, permitiram os fados que eu obtivesse o seguinte mimo vergiliano: «Para o Martim / este livro arqueológico / de que todavia ainda / gosto bastante. / Vergílio Ferreira / 27.1.96».  
Lugar de eleição, Viseu irrompe desde O caminho fica longe (1943) na obra do nosso grande escritor. Irrompe e fica, acrescente-se. No primeiro romance, aparece-nos a tia de Amélia (p. 34: «Viera logo nessa noite uma tia de Viseu.»), para minorar o sofrimento pela morte da mãe da jovem e alude-se ainda ao «namoro que ela tivera em Viseu» (p. 60). Não sendo muito, é um lugar no início de um grandioso caminho literário que agora esplende na fogueira dos 100 anos do nascimento de Vergílio Ferreira.

Viseu, 20 de janeiro de 2016

Martim de Gouveia e Sousa 

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