2015-12-13

A dignidade em José Luandino Vieira


Arvorando-se em centro da representação, tem feito narrativa o facto de alguns actores da causa pública lamentarem prisões e investigações a políticos e seus próximos. Chega-se ao cúmulo, até, de serem as próprias vítimas (mas, sê-lo-ão?) a estabeleceram cotejos impossíveis. Afinal, há por aí muitos mandelas, cunhais, luandinos, soares... e tudo, afinal, não passa de delito de opinião, ideologia e perseguição política.
Olhando o desassombro, apetece rasurar, obliterar e deslembrar a inutilidade. Lembro, no entanto, Luandino e a sua dignidade de prisioneiro e de escritor:

«27-03-63  São 6h, fecharam a  porta. Tenho o papel branco à minha frente. Terei coragem?... Vou tentar começar o conto.» (Papéis da prisão Apontamentos, diário, correspondência [1962-1971], Alfragide, Caminho, 2015, p. 219 )

Assim um homem que é grande. Digno o humano, imenso o escritor. Poucos assim, muito poucos assim.

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