2015-12-12

A amizade de Daniel Faria


A grande literatura ensina sempre. Não necessitando de colagens, seguidismos e oportunidades, os textos fundos afundam-se, gravando-se na pele. E pelo tacto irrompem, clamando o tempo da desvelação. Da amizade aos raros vocábulos vindo, da amizade tratam, como o anunciam os líricos gregos e o tratadistas romanos, nomeadamente Cícero. Contra o frenesim da citação sem lugar, diga-se que a amizade deve ter lugar, é mesmo o lugar, sendo infensa a vulgarizações sem casa. Abomino livros de citações sem lugar. Adoro as boas citações. A propósito, que dizem desta (?), sobre a amizade:

«Na amizade, muitas vezes, a distância é o lugar mais próximo e de maior proximidade, isto é, onde a presença do outro de tão inteira já não pode ser medida. Sendo um lugar cheio de saudade, esse é também um lugar feliz, porque aí sem cessar se regressa e avista.» (Daniel Faria, O livro do Joaquim, Vila Nova de Famalicão, quasi edições, 2007, pp. 76-77).

Saudade, saudade disso - desse lugar... 
  

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