2013-11-26

O nascimento de Baltasar Sete-Sóis no conto «História dum pastor» de João de Araújo Correia


O nascimento de Baltasar Sete-Sóis no conto «História dum pastor» de João de Araújo Correia:

«Conheço a serra como as minhas mãos. Que estou eu a dizer? Conheço-a melhor que as minhas mãos. Como o senhor vê, sou maneta. Perdi o braço num grande barulho, armado entre o meu povo e aquele povo de além. Somos vizinhos, mas, não nos podemos ver desde o princípio do mundo.

O pior é que fiquei maneta. chamavam-me, dantes, o Dionísio. Como perdi o braço, também perdi o nome. Puseram-me, de alcunho, o Maneta. Quem vai ali com o gado? É o Maneta...
Eu próprio, olhando para mim, vi outro homem. quem era aquele moço, que trazia suspenso, do ombro direito, o balandrau dum morto? Era eu, o Dionísio? Duvidei.» [João de Araújo Correia, «Folhas de Xisto», Régua, Imprensa do Douro - Editora, 1959.]

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