2009-02-18

Rodrigo Emílio faria hoje 65 anos...


BALANÇO DOS 27 ANOS

O que em mim mais sobressai
é a sobranceria secreta
de ter tido um pai
que era poeta -

se bem que também
a fundo cultive
a grande fortuna de ter tido a mãe
que tive.

E de entre as imagens sãs,
(jamais a vida as assole...)
recordo duas irmãs,
louçãs ao sol das manhãs
e ambas lindas como o Sol.

Em ti, amor, logro o tema
com que mais me maravilho:
por ti, vibro em cada poema.
E tenho um filho!

Além disto, há a saudade
profunda que me avizinha
de sombras de uma outra idade:
meu avô, a avó-madrinha...

Doei-me, por fim, a Ti,
Pátrio Reino, e exauri
das veias sangue de lei, com fervor:

— dois anos de alferes servi
em uma das mais antigas,
remotas «províncias d’EL-Rei», meu Senhor!...

in SERENATA A MEUS UMBRAIS, páginas 206 e 207

2009-02-13

Arco Lisboa-Madrid




Coincidiendo con la Feria de Arte Contemporáneo ARCO la Galería Amador de los Ríos os invita a visitar la Exposición:

Arco Lisboa-Madrid

donde estará expuesta una Instalación de la lisboeta Linda de Sousa y los Dibujos del artista madrileño Juan Jiménez


La inauguración será el 2 de febrero a las 20:00 horas y la exposición permanecerá en la sala hasta el 16 de febrero de 2009.

El horario de apertura al público de la galería es de Lunes a Viernes de 11.00 horas a 14 .00 horas y de 16.30 horas a 20.30 horas.

2009-02-10

"Está bem... façamos de conta" por Mário Crespo



Está bem... façamos de conta


JN, 9 de Fev. de 2009


Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.


Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.

[texto enviado por J. Costa]