2007-10-25

1º Colóquio - Voltar a Ler Tomaz de Figueiredo



O Soneto da Minha Dor


Eu que no princípio era um optimista
olhando a vida só pelo que tem de são
bem cedo mergulhei na vaga confusão
de treva onde se perde, incerta, a minha vista.

E aprendi a ser irónico e trocista
a considerar o Bem como um conceito vão
e não enxergo nada nada desde então
que mereça um olhar do meu olhar de artista.


Tudo é vaidade, fumo negro, sombra vaga
no temporal do oceano escuro desta vida
que vai quebrar, não sei em que remota plaga.


- Como dizias bem, ó Salomão, meu Sábio,
não há nada que valha a náusea incompreendida
no rictus indiferente e crasso do meu lábio.

Coimbra, 1923

3 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

...."TUDO É VAIDADE, FUMO NEGRO...SOMBRA VAGA..."






ILUMINADO.



BEIJO.

isabel mendes ferreira disse...

e tomei a liberdade de "levar ao piano" um excerto de.


espero que não se zangue.


beijo.

isabel mendes ferreira disse...

obrigada...









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beijo. Martim.